quinta-feira, 11 de junho de 2015

Crônica Sobre a Ilha do Governador

OS INSULANOS E OS ILHADOS

Os Insulanos podem ter o ego insuflado.  Aliás, vivem perto de belezas como a Praia da Bica, Praça da Ribeira e ainda tem uma estação própria das Barcas. O comércio é aquecido. Têm um shopping center. E para quem tem a opção das ligeiras vans, transporte sempre é uma vã preocupação. Só quem mora na Zona Norte sofre com locomoção. Insulanos moram bem.  Não dá para chamar a Ilha de “Zona Norte”, entendem? É claro que, geograficamente, não escapam da alcunha de nortenhos. Mas são nortenhos bem localizados. São nortenhos do Sul!  Ora, a Ilha do Governador é famosa por ser a “Zona Sul da Zona Norte”, vocês não sabem? Local preferido dos militares e suas vilas. Confederação das Repúblicas Democráticas dos Estudantes da UFRJ. Quer coisa mais chique, do que dividir o bairro com um aeroporto? Daqui a Miami, um pulo. Vinte reais de taxi e uma ponte aérea no nordeste! Pertinho!
Insulanos nasceram na ilha. Sentem-se orgulhosos pela sua terra... Por essa e outras razões, nunca se sentiram ou se sentirão... Ilhados.
Já esses, ... os Ilhados, geralmente, são um povo acanhado, comedido. Não saem muito. Preferem o aconchego do seu apartamento, do que encarar a fila do único cinema do bairro. Originalmente, nômades. Provenientes de outros bairros, mudam-se de casa em casa, na medida em que aumentam os preços dos aluguéis. Foram parar na ilha por um acaso chamado “especulação imobiliária”.  Não os chame para correr na Praia da Bica, por favor. Eles não se dão bem com Vans. Muito menos com o barulho dos aviões sobrevoando seus apartamentos. Detestam, com todas as forças do universo, esse trânsito infernal na Estrada do Galeão. Uma entrada e uma saída, apenas. Parece até uma piada de mau gosto: Depois de batalhar para sair da Ilha, ainda tem que encarar um baita engarrafamento na Linha vermelha! Mas, o fim mesmo é a Polícia querer fazer blitz nessa única entrada e saída, justamente na hora do Rush.
Ao contrário do Insulano, o Ilhado, meus amigos, sofre!



quarta-feira, 10 de junho de 2015

O SEGREDO DA VIDA APÓS A MORTE

 Conto


O SEGREDO DA VIDA APÓS A MORTE




Um belo dia, morri.  
Morte morrida mesmo. Não vou aqui culpar ninguém, é claro. As pessoas morrem, não morrem? Pois é. Eu morri. Mas isso não é o importante. E sim o que aconteceu depois da minha morte.
A minha ressurreição não foi lá muito lenta. Também não foi algo que nós podemos classificar de rápida. Em três dias estava no céu, e o que ocorreu neste intervalo de tempo, sinceramente, eu não me lembro. Vá me perdoar.
Depois é que me contaram sobre o processo ressurreitório, e que demora em média 3 dias. Se a pessoa for um cadinho mais gorda, pode levar 3 dias e 10, 11 horas, no máximo. E aconteceu assim... num instante. Um fechar e abrir de olhos. Em um momento, estava na minha cama, cansado e ofegante, me despedindo da minha família. E em outro, no céu. Um monte de anjinhos voando, coisa linda.
Em minha primeira imagem do Paraíso, lá estava Ele, o Criador do Universo. Até que foi rápido demais. Achei que demoraria mais para ver Deus. Vê-lo assim, logo de cara, foi um susto.
Estava me esperando com um sorriso largo no rosto. Não parecia um sorriso de felicidade, era mais semelhante a uma risada. Alguma coisa devia estar engraçada para Ele...
Sorridente, logo iniciou uma conversa, dizendo:
_ Ângelo, Ângelo, bem vindo ao Céu dos Judeus. Aqui você vai encontrar alento para a eternidade.
Eu indaguei.
_ “Céu dos judeus”? Mas eu sou crente, evangélico. Calma aí, e quer dizer que existem outros “céus”? Como é isso?
Soltando um risinho sarcástico, Deus pôs-se a responder em um tom quase irônico. 
_ Ora, meu caro. Convenhamos, sua religião não é nada original. A maior parte do que você acredita veio do judaísmo. E,  assim, por uma questão de economia, nós preferimos colocar mais de uma religião no mesmo céu. Desse jeito, vocês, os protestantes, e os católicos, os espíritas, as testemunhas de jeová, os muçulmanos, os mórmons e os judeus vieram todos para cá.
_ Puta que o pariu! Os mórmons nãaaaooo!
_Foi a mesma que eu falei! Mas meu filho é chato pa-ra ca-ra-lho. Moleque insuportável, sabe como é, né. Fez questão de incluir essas pestes. Veio com aquele papinho mela cueca de paz e  amor e blá blá blá... Enfim, os mórmons também estão por aqui.
_ Entendi. Deus, oh Altíssimo, oh Glorioso, me perdoe a insistência, Pai de amor. Mas explica melhor, por favor, sobre esse lance de ter mais de um céu e tal... por favor, Altíssimo.
Ficando visivelmente irritado, o Senhor retrucou com uma voz temível.
_ Você já falou “por favor”. Para quê falar duas vezes?!  E pare de bajulações, merda! Não suporto essa porra...  Sem essa de “Altíssimo”, “Glorioso”, “Pai de amor”. Essas hipocrisias me irritam ao extremo!!! ... Bom... como vou explicar isso? Olha, veja bem, cada grupo de religiões, que minimamente se parecem, nós acomodamos em uma área semelhante a esta. A diferença reside basicamente em como cada religião chama este lugar e a mim. Uma questão de economia, como já falei.
_ ah sim. Mas chega de perguntas. Quero conhecer logo Jesus, meu salvador. Posso vê-lo? Onde ele está?
_ Ih... Você chegou em má hora, rapaz. Jesus acabou de voltar.
_ Como assim?  Dois mil e quinze anos se passaram e ele ainda não tinha voltado. Eu morri e ele resolveu voltar logo agora?
_ Isso mesmo. Se você tivesse aguentado mais três dias, só mais três diazinhos, ia ver o retorno glorioso de Jesus de Nazaré. Que pena né?! O Apocalipse está acontecendo nesse exato momento. Uma turma de anjos até colocou um telão ao vivo no salão principal. Decretei feriado celestial e tudo, só para assistirmos “ao Fim”.
_ Quer dizer que chegamos ao fim do mundo? Os ímpios vão para o inferno e nós, os crentes, para o Céu?
_ Não, não. Este não é o fim do mundo para os “ímpios”.  Só para vocês, crentes em Jesus.  E eu não gosto de usar estes termos preconceituosos para os não-cristãos.  O tal esperado apocalipse só vale para os evangélicos fanáticos. Eles já estavam se proliferando tanto e causando tantos problemas, que eu resolvi recolhê-los do meio da minha criação.
_ Então o mundo não vai acabar em fogo como a Bíblia falou? Os pecadores não vão pagar pelos seus pecados? Eu morri ... v-i-r-g-e-m ... atoa?
Neste momento, Deus deixou escapar uma risada breve, mas que rapidamente explodiu numa imensa, constrangedora, sincera e profunda GARGALHADA, chamando atenção de todos por ali.
Após aquele estardalhaço, percebendo meu nítido acanhamento, o Senhor retomou a conversa em tom mais sóbrio:
_ Então, meu filho. Você precisa saber que eu nunca me importei com esse negócio de sexo antes ou depois do casamento, sexo entre dois homens,  entre duas mulheres, etc. Não gosto muito de espiar a vida sexual das pessoas, sabe? Acho que isso diz respeito à intimidade de cada um e é isso...Tudo certo?  Acho que não temos mais nada a conversar, né. Então venha comigo. Vou lhe mostrar seus aposentos.
_ Espera. Só queria um favorzinho antes. Se eu não posso ver meu senhor e salvador, Jesus Cristo, eu poderia ao menos ver Moisés, Davi, Abraão, José, Salomão? Tenho muita curiosidade sobre eles. Cresci ouvindo suas histórias...
_ Hum... infelizmente isso não será tão possível assim.
_ Mas por quê?
_ Ora, vejamos... por onde eu começo...? Moisés não existiu. Mito. Lenda. Davi foi para o inferno. Abraão se converteu a outro deus no final da vida, embora a bíblia não tenha comentado nada sobre isso. José tem a religião própria dele, nós temos que respeitar. E Salomão... hehe, bom.. Salomão preferiu as virgens mencionadas no Corão, você pode encontrá-lo na ala dos Muçulmanos. Segunda porta de vidro à direta, logo após o obelisco de Nova Jerusalém. Mas vou logo avisando, elas não são virgens. Ninguém lá é. Essa é uma historinha que eu conto para a galera do Islã. Na verdade, aquilo lá é uma casa de swing. Vai quem quer né? Tive que criar uma dessas para sossegar os muçulmanos que não paravam de perguntar pelas tais “virgens”...
_ Ahm?! Meu Deus! Peraí! Calma! Me explica melhor isso! Moisés não existiu? Então a bíblia mentiu?
_ Não é bem assim, vai. A bíblia não mentiu, até porque ela não foi escrita para ser literal. Ela apenas relatou uma história mitológica do povo hebreu. Há lições valiosas na história de Moisés. Um valor cultural inestimável. Por séculos, essa figura foi responsável pela união e coesão de um povo...
_ Nossa! Tudo em que eu acreditava está caindo por terra agora... Mas e Davi, por que ele foi para o inferno?
_ Está brincando!? Você é cristão, deve ter ouvido os meus ensinamentos através de Jesus não é? Davi foi sanguinário pra cacete! Matou 200 filisteus só para casar com a filha do Rei. Seu reinado foi terrível, cheio de guerras. Ainda se deitou com a mulher de um amigo e o assassinou logo em seguida. Você queria um cara desses por aqui?
_ Ma.. ma... mas e aquela história de “homem segundo o coração de Deus” e que o “reinado da sua  linhagem não teria fim” e tudo mais?
_ Bem... nessa parte a Bíblia mentiu sim. Ele próprio que escreveu isso para se autopromover. Ou você acha que Davi falaria coisas ruins a seu respeito? Ele teve participação direta na elaboração dos textos sagrados da sua época, sabia? Malandro... Então, já vou te adiantando. Abrãao não foi lá tão meu amigo assim. Se converteu a um deus cananeu no final da vida. José era da religião egípcia e sempre foi. Se enganou quem achava o contrário. Está no “Céu” dos faraós nesse momento.
_ Uau! As coisas são muito diferentes do que eu acreditava. Estou pasmo.
_Pois é, né... Então, é isso... Vamos andando que eu estou louco para assistir as cenas finais do Apocalipse. Está quase acabando.
          Após isso, Deus me levou aos meus aposentos. Uma casa linda de madeira, afastada da cidade, com muitas árvores e animais silvestres por perto.  
           Desse belo lugar, onde acabo de relatar esta história, posso ver ao longo da campina a casa de pessoas ilustres, como Renato Russo, Rubem Alves, Vinicius de Moraes, Darcy Gonçalves... Estou percebendo que não moro muito bem, é verdade. Mas não moro mal. Até porque,  em comparação com a casa reservada para o Bispo Macedo, eu moro é bem demais! O Inferno, seu futuro lar,  é mais quente que Bangu e o dízimo é em 80%! 
           Agora, me dá licença, que eu vou ali na sala assistir ao "fim do mundo" pela Tv.


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terça-feira, 9 de junho de 2015

O Benefício de Ser Criança

O Benefício de ser Criança

Aprender a rimar foi bem divertido. O som das palavras era parecido. Dava até para cantar músicas engraçadinhas. Meu tio era quem gostava de brincar de rimar comigo. Foi ele que me ensinou a brilhante canção, tão bem formulada em tom de crítica ao lema positivista da bandeira brasileira:
“Ordem e Progresso
Sua bunda é um sucesso!
Ordem e Progresso
Sua bunda é um sucesso!”

Pronto! Ninguém mais podia recitar o refrão militarista positivista da velha república brasiliana que eu, polidamente, já completava: “Sua bunda é um sucesso”.
Coitadinha da professora de informática da minha alfabetização! Mas também, quem mandou ensinar uma turma de crianças a desenhar a bandeira do Brasil no Paint?!
“Vocês sabem qual é o lema da bandeira nacional?” disse, desprevenida.
Não demorou muito para bunda dela fazer sucesso naquela sexta feira...
 O bom de ser criança é que você sempre pode colocar a culpa no adulto que te ensinou.  Nesse caso, a raiva da professora foi direcionada para meu Tio, Chiquinho. Dessa, eu me livrei. Era só uma criança inocente, um produto do meio. Francisco que era o mentor.
Com o tempo, fui obrigado a descobrir outros álibis para as merdas que fazia. Usar a mesma desculpa muitas vezes não foi uma boa estratégia.


Uma Prosa sobre "O Vilarejo"

O Reino de Deus será como no "vilarejo", de Marisa Monte.
           Aprendi isso, com olhos marejados, num domingo à noite
na Igreja batista do (meu) Caminho, que "é de volta pra casa".
"Lá o tempo espera". Essa é uma das melhores notícias que Deus, através da MPB-íblia, poderia nos dar.
No nosso "Rio de Janeiro da beleza e do caos", o tempo é algo que, normalmente, nos faz ficar ansiosos, apreensivos. Nos traz pressa e não paz.
Mas lá, naquele vilarejo - República Democrática do Reino de Jah -
nada é pra já.
Pois lá, o tempo espera - você terminar o seu suco, dormir mais 5 minutinhos mais 5 minutinhos mais 5 minutinhos mais 5 minutinhos ..........................zzzzzzzzzzzzz......... ver o último capítulo da **** (no céu não tem novela da globo só da Record); tomar o chá das 5 das 6 das 7 das 8; ir e voltar do banheiro depois de tanto chá; voltar ao banheiro para lavar a mão que você esqueceu; comprar pão, pentear o cabelo e "dar tchau" para o homem do GÁS QUE ESTÁ PASSANDO PELA SUA RUA.
Ô lugar bom.
Lá, que pode ser aqui um dia, tem espaço para todxs.
Eu sei.

O vencimento da vida – diálogo entre pai e filho.

O vencimento da vida –
 diálogo entre pai e filho.

Meu filho, o mundo é uma selva e você precisa vencer na vida. Conseguir emprego não está fácil, pois a concorrência é pesada! Sobreviver lá fora, neste mundo, é um desafio. Você precisa ser o melhor em tudo que faz, meu filho, senão você dança. Não deixe ninguém ser melhor do que você e aí, no futuro, você vai ter o melhor emprego e vai poder dar uma vida boa aos seus filhos.
Meu filho, o mundo é uma selva. Lá fora vige a lei do cão!  Você precisa ser o melhor, caso contrário você será só um “ninguém”. Então, trate de estudar bastante e se dedicar muito para ser alguém na vida!

Meu filho... por favor...
O Mundo é uma
S-E-L-V-A ...!
Antes de ajudar o próximo, você precisa ajudar a si mesmo. Pare de se meter nesse negócio de manifestação! Isso não leva a nada. Você vai acabar sendo preso ou...                                           ou coisa pior.
 Pare de tentar mudar o mundo! As coisas só vão piorar daqui pra frente,
está escrito.
Ajeite a sua vida primeiro e depois você pensa nos outros...
...
...
...........
Pai. Meu pai. Você foi embora já há algum tempo. E agora, assim como você, meus dias também estão chegando ao fim. Não sei mais quanto tempo me resta aqui.
Sempre ouvi atentamente seus conselhos e procurei seguir aquilo que achava correto em meu coração. Você dizia insistentemente para eu me dedicar e vencer na vida. Obrigado, pai. Pois você sempre quis o melhor para mim.
Contudo, pai, eu confesso... Não sei se venci na vida da forma como você desejava. Veja, eu não me tornei alguém muito conhecido, não exerci cargos e funções importantes, nem amealhei muitos bens, e o pouco que juntei acabei compartilhando com meu próximo.
Pois é, pai. Do mesmo jeito que cheguei ao mundo, hoje eu saio dele.
Mas, apesar de não ter deixado um bom patrimônio para meus filhos, como você, pai, eu estou lhes deixando um mundo bem diferente daquele que conhecíamos.
 Meu saudoso pai, em breve nos encontraremos novamente. E , quando chegar o momento, eu queria lhe dizer que, talvez, para o seu desgosto, eu tenha sido um “ninguém” na vida... Mas, sabe de uma coisa, pai... Estou feliz e satisfeito com o que fiz. Graças aqueles sonhos “malucos” e perigosos, contra os quais você me advertia... graças a esta utopia, minha e de muitos companheiros e companheiras...
...

 hoje, pai, o mundo não é mais uma selva.

A Lenda de Poércio

A Lenda de Poércio

Numa era longínqua, em que se trabalhava para viver e se vivia para trabalhar, mulheres e homens não aguentaram mais esperar o final de semana e resolveram saquear o Paraíso, a fim de encontrar um consolo para suas rotinas densas.
Aproveitando que Deus estava de férias há mil anos, sem nenhum esforço manietaram e prenderam os anjos no quarto de Lúcifer, que estava desocupado.
Emocionados e orgulhosos, todos e todas desciam as escadas bradando hinos, celebrando a vitória, carregando tesouros, riquezas e também o filho de Deus, que seria designado a trabalhar como mágico num circo.
Chegando ao hall central, avistaram um ser despreocupado bebendo vinho, tocando violão e cantando bossa nova, como que alheio a todo aquele alvoroço...! Perguntarem-lhe seu nome e a criatura cantarolou - “sou a Poesia”.
Dentre os humanos no recinto, havia um com jeito e pompa de profeta. Este, que já estava cansado de carregar Jesus nos ombros, sugeriu levar a Poesia no lugar do Messias. Dito e feito. A Poesia, que não gostava de ser carregada de jeito nenhum, prontamente concordou em descer do Céu, pois queria também conhecer coisas novas e já estava amargurada de tanto ouvir o coral dos anjos, que só cantava músicas do cantor cristão, chatas pra danar.
A Poesia precisou assumir uma forma humana e, como tinha se afeiçoado ao profeta, fundiu-se com ele, no melhor estilo Dragon Ball Z.
Deste dia em diante, não mudou muita coisa na vida das pessoas. Elas continuaram trabalhando muito e só descansando nos finais de semana, mas as suas rotinas tinham ficado mais leves com a graciosa presença da Poesia nas igrejas, nas praças, nas filas do banco, nas universidades, etc.
Enganou-se quem achava que o maior talento da Poesia era escrever seus poemas e tocar suas músicas. Não era. O seu maior dom era a generosidade. Por onde andava, exalava e transpirava inspiração para as pessoas que, sempre que a encontravam, voltavam correndo para casa esboçar algumas linhas de um poema ou uma prosa.
Contudo, por assumir a forma humana, os dias da Poesia sempre chegavam ao fim, após muita cantoria pela Terra... Mas, de tempos em tempos, reencarnava em profetas e profetisas que, com uma sutil genialidade, encantavam e coloriam a vida cinzenta das cidades.

Hoje, a Poesia está por aí. Tem um andar manso, uma fala lenta, possui um jeito delicado de músico... e pode ser encontrada pelos corredores da UERJ acariciando sua barba de profeta.

VENDI MINHA CRIANÇA PRA UM CIRCO DE EXECUTIVOS

VENDI MINHA CRIANÇA PRA UM CIRCO DE EXECUTIVOS

Perdi.
Perdi meu coração
Num jogo de cartas com a Religião
Apostas baratas de uma geração infante
Hoje sem chão, amanhã errante.

Perdi com o Valete, até com o Rei
Se existe um Ás, não saberei.
Sei!
Foi meu porquinho
Pra barriga da calça
De um “mala sem alça”
De um profeta palhaço
Que se acha o dono do circo
 E acabou ficando rico
Contando piada pra quem paga pra rir.

Mas é uma dama!
E diz que me ama
Só muito reclama
Porque não quero rir!

São contos sem graça
De pessoas da praça
Que não estão ali.

É... a verdade na boca
A mentira na mão
Que coisa louca
Essa louca Religião!



Deste Povo Mãe Gentil

“DESTE POVO” MÃE GENTIL


Somos todos muito mansos
Homens feitos por acaso!
Quase nunca nos xingamos
Nunca quase “batemos papo”.

Ontem mesmo fui fulano
Mas quem diria se soubesse?
Que dinheiro e pouco plano
Muda nome e enobrece!

Não me entenda com engano!!!
Eu bem sei que mui mereço!!
Faço jus pelo meu cargo!
Qual é mesmo o vosso preço?

Juntos somos uma família
Que de quatro pela nação
Renovamos nossa quadrilha
E nossos votos nessa União.

Guerreiros fiéis, bons combatentes
Olhos fechados para a corrupção
No progresso, ficamos sorridentes
No sucesso, a mão lava a mão.

Porém às vezes vamos presos
O que não dura um instante
E voltamos sim, nada surpresos
A sermos, sempre:
Seus bons governantes.

























As Outras Faces de Deus

As outras faces de Deus.



Meus Deus não é gigante
Não senta no trono
Não mora no céu
Meu Deus não é o "deus de Israel".

Deus tá na Palestina
Na faixa de Gaza
Arrombaram sua casa
Deus é uma menina.

(Deus é pai, Deus é mãe, Deus é pau pedra, pau pedra...)
(Deus é pai, Deus é mãe, Deus é pau pedra, pau pedra...)

Deus pode ser Allah
Deus pode estar aqui
Oxalá Deus fosse Brahma
Ele não reclama
Deus Inhanderú

Deus homoafetivo
Deus é um panteão
Deus é um monossílabo
de "baixa" entonação

Deus é sensitivo
Ele lê minha mão
Deus é um monociclo
E está na contramão.

Deus pode ser divino
pode ser humano,
pode ser de feno
pode ser de vidro
pode ser de pão
pode ser de pano

Será Deus ateu?
Será teu Deus Jesus?
Dizer adeus a fé
pode ser a cura
pode ser a cruz.

Singela Homenagem

Sagrada Quadrilha

Vocês e suas curas.
Loucuras!
Vocês e seus dízimos;
Indignos!
Vocês e seus ternos.
Infernos!
Vocês e seus crentes.
Tridentes!
Vocês e suas mansões.
Prisões!
Vocês e seus milhões.
Ladrões!

O pastor cara da riqueza
O apóstolo Cowboy
O bispo da empresa e
E o missionário badboy.

Sim, eles são o pecado.
Roubam com amor.
Servem ao Diabo
O lucro, lúcifer e ao Senhor.

Mas, olha! Essa história
Eu não pago pra ver
Eles são uma família
Maldita Quadrilha

Vão se foder!

Escola de Heróis

Escola de Heróis

Têm super poderes
Incríveis seus jargões
Pessoas como eles
Não podem ser vilões

Impecáveis seus dizeres
Induzem eu e você
A sermos outros seres
Melhores do que acostumamos ser.

Piores somos nós
Que na escola de heróis
Ainda fomos reprovados
Nosso erro inocente?
Não andamos mascarados!

Com suas capas engraçadas
São super heróis
Pessoas que à paisana
Pecam como nós

Salvam todo homem
Da hipocrisia de seu ser
Injetam-lhe a palavra
Que só praticam na TV
Salvamento efetuado
Antes peço comissão
Pagamento adiantado
Dinheiro, cheque ou cartão.

Mas piores somos nós
Que na escola de heróis
Ainda fomos reprovados
Nosso erro inocente?
Não andamos mascarados!


JESUSPRUDÊNCIA

JESUSPRUDÊNCIA

Pra que estar assim
Com esse olhar angustiado?
Se a morte não é fim
Pra quem anda do meu lado.

Só basta crer em mim
Que mesmo morto viverá
Foi pra isso que eu vim
Foi de tanto eu te amar.

Ame tanto quanto amei
Foi isso que ensinei
E se isso você quer
Então tente aprender
Ouça tudo que eu disser
 E bem feliz você vai ser.

Perdoe o culpado
Ele pode estar em pranto.
O que ele fez foi errado
Mas você não é um santo.

Vire servo das pessoas
Não importa de quem seja
Sejam más ou muito boas
Ou se gostam de cerveja.

A todo mundo cumprimente
Seja hindu ou seja crente.
Trate o rico e o pobre igual
Também o tolo e o racional.

E se te roubam a carteira
Dê de graça o celular
Se ainda pedem a pulseira,
Você também não vai negar.

Mas não saia esmolando
Se for só pra aparecer
Isso é pinta de malandro
Que não é bom e nem vai ser.

Faça bem a quem faz mal
Dê “bom dia” ao marginal
Com ele tenha paciência,
Pois violência só gera
Ainda mais violência.

O que planta nos outros
O homem vai colher
Então faça a todos
O que quer que façam a você.

Pois essa é a verdade
De grande sabedoria
Deixe, então, sua vaidade.

E ponha, agora, isso em dia.

UMA BREVE HISTÓRIA

UMA BREVE HISTÓRIA

Todos sabem,
Tudo vai,
Tanto quanto,
Nada fica.

O tempo passa
 E a gente acha
É tão legal estar na vida.

Sai da escola ,
Vai pra casa,
Compra pão
E paga as contas.
Vê TV,
Entra na net,
Puxa um fino
E tira onda.

Vem feriado,
Acaba março,
99 ninguém lembra!

O ano rompe.
A tia morre,
Uma criança,
Só 70!

Tá na praia,
Tá no campo,
Tá de férias ,
Tá no trampo.

Vive tudo,
Experimenta,
Dói na alma
E ele aguenta.
Fecha os olhos
Segue em frente
“me desculpe
Com licença”,
Assim vai vivendo a vida,
Vai doente,
Bem depressa!

Vai andando horizontal,
Num mundo circular,
Volta e meia dá a volta
E sempre volta pro mesmo lugar.

Por fim, perde a chance.
Foi num lance.
Dos 60 não passou.
O que lhe resta
Já não presta,
Vai colher o que plantou!

AS ENCHENTES DA SAUDADE

As Enchentes da Saudade

É algo muito forte
Que se esconde no meu peito
É a sorte da minh'alma
É a morte. É a morte.

É a parte pelo todo
É o todo pela parte
É tudo em toda parte
É o nada. É o nada.

É o sal dos meus olhos
Que alaga a cidade
É tristeza, é tristeza.
É saudade. Ah!...É saudade!

BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA (jornadas de junho/2013)

BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA.

Enquanto o preço do tomate aumentava e junto com ele a passagem... No Brasil, a Justiça tinha gosto de vinagre.
Vinagre. Foi o que Ele bebeu, quando matava a sede do mundo.
E o Brasil hoje vai matando a sua. O cego começa a ver. O Coxo dá seus passos. O milagre sai do papiro e pinta as ruas de gente.
 Dizem os cristãos que estamos de passagem pela vida. Mas que passagem cara!
A vida está cara!
O preço de duas Copas e uma Olimpíadas, com uma dose de superfaturamento.
Mas, agora, o brasileiro quer a avenida, quer a praça... E é lá que o Verbo anda solto. Solto das amarras da religiosidade, dos templos, dos livros sagrados...
O Verbo se fez carne ali mesmo na Avenida Rio Branco. E não dentro de uma igreja.
O Verbo é de ligação. Ligou-nos uns aos outros.
Ele é transitivo... Não! É transeunte!
Ocupamos o Sinédrio. Destruímos o Templo. Vamos erguer outro em três dias.
Tirem os empresários do Templo do Futebol. Ele é do povo!
Multipliquem os pães, abaixem o preço do peixe!
O Brasil quer saúde e educação!
Quer Aldeia! Quer escola!
O Brasil quer morar!
Pão e circo, Não!
Pão e Vinho!






Eu Vejo Injustiça

Eu Vejo Injustiça

Eu vejo meninos de rua
Eu vejo pedintes nas calçadas
Eu vejo prostitutas seminuas
Eu vejo vidas que são ceifadas.

Eu vejo homens semideuses
Mas vejo um Deus muito humano
Eu vejo o dinheiro no poder
Eu vejo um poder tão insano!

Eu vejo um pobre com um sonho
E vejo outro financiando
Vejo uns que se importam
Mas vejo outros só passando.

Eu vejo gente como a gente
Eu vejo,  gente, uma multidão.
Eu vejo gente descontente
Com essa vil situação.

Mas eu vejo gente, infelizmente.
Eu vejo gente sem coração.
Eu vejo gente que feliz mente
Pela sua boa condição.

Agora vejo
Que finda a hora de ver.
E o que estava no desejo
Fazê-lo acontecer

Os que choram irão rir.
Os que negam ajudar vão pedir
Paz na consciência,
 Clemência pro juiz
Felicidade a um mendigo
E amor à meretriz!


Parábola do Filho Playboy.

Parábola do Filho Playboy.

São os filhos playboys de Deus
Não são cristãos, muito menos são judeus.
Se dizem crentes amados do Senhor.
Querem ser iguais ao Pai, mas lhes falta ter amor.

Olha quem eu vejo.
Aleluia!
É o príncipe da igreja.
Glória a Deus!

Anda de terno e gravata
Com a bíblia na mão
Vigília faz na mata
Pra entrar em comunhão.

Chega fevereiro,
Retiro espiritual,
Não quer se contaminar
Com o povo do carnaval.

Tem nojo do pecado,
Detesta o pecador.
Ele nunca está errado.
Ele é sempre o professor.

Ihhh... Todos na igreja,
Entra um bebum.
Sente o cheiro de cerveja,
Ouve o barulho de um pum!

Ele entra em fúria,
Mas onde está o seu amor?
“Expulsa este imundo
Está na hora do louvor!”

O fariseu agradece,
O pobre sai xingando,
A igreja emudece,
E Jesus está chorando!

Ele é tão muito sabido,
Doutor em religião.
Anda sempre bem vestido,
Mas ao pobre fecha a mão.

Fecha a mão para bater,
Fecha a mão para não dar,
Mas um dia ele vai ver
Que o que mais importa
É AMAR!





VALENTE CIDADÃO

VALENTE CIDADÃO

Vai Valente injuriado
Pegar o ônibus na estação
Ganha mal, não é formado
Triste paga a cara condução.

Paga a ida e paga a volta,
Mas quem paga a revolta
Do Valente Cidadão?

Trocador ganha trocado
Motorista pechinchado
Então pede ao patrão.

Patrão mais recebe
Ainda explora dura plebe
Eu, você e o Valente Cidadão.

Larga tarde do batente
Pra casa vai de corujão
Mas o que irrita o Valente
É essa passagem sem noção.

Paga a ida e paga a volta,
 Mas quem paga a revolta
Do Valente Cidadão?

O preço é muito alto
A passagem é um assalto
Só o rico diz que não.

Mas Valente não é rico
No mercado paga mico
Ele é mesmo nosso irmão.

O que sentimos, ele sente
Então, por isso pede a gente

Um preço justo pro Valente Cidadão!!

SER HUMANO É TODO MUNDO

SER HUMANO É TODO MUNDO

Pés descalços no asfalto
Pés sem nenhuma proteção
Pés que andam lá no alto
Pés que correm aqui no chão.

Mãos que roubam e que assaltam
Mãos que pedem o que não dão
Mãos que catam o que nos sobram
Mãos que querem a nossa mão.

Olhos que enxergam a diferença
Olhos que avistam o que não têm
Olhos que são tristes de nascença
Olhos que almejam viver bem.

Bocas que trabalham um bocado
Bocas que chamam de “moço” o senhor.
Bocas que só querem um trocado
Bocas que pedem um almoço, por favor.

Ouvidos que ouvem muito “não”
Ouvidos que ouvem muito bem, pois
São ouvidos que, quando chamados de ladrão,
São ouvidos que se ofendem também.

Pés, mãos, olhos, bocas e ouvidos.
Isso todo mundo tem.

Homens, mulheres ou crianças.
Seres humanos como são.
Mesmo sem muito a nossa confiança,
Merecem toda a nossa compaixão.


Uma Pergunta aos Moradores

Uma Pergunta aos moradores.


 Vou lhes fazer
Cordialmente
Uma pergunta bem rasa

Como pode haver
Casa sem gente
Se há gente sem casa?

Se é que podem ver
Lamentavelmente
À noite na praça

Senhoras e senhores,
Com seus cobertores
Dormindo, em massa.

Acordem,
Mas acordem logo, amigos.

Pois não há quem aguente,
Ver gente sem casa
E casa sem gente.


PELO FIM DA POLIS CIA.

PELO FIM DA POLIS CIA.



Pela cela, pela janela
Da jaula de aula
Pela tela da televisão
Pôr tudo que é mais sagrado
Do lado errado dá opinião

Pela violência
           Das flores violetas
                            Ultra violentas
Do Sol maior com 7ª
                   Série onde o menor
                                  Apreendido  apreenderia
O seu violão.

Pelos becos e vielas
Onde berros e miolos
“saúdam” o caveirão.
Pela pele do playboy
                              Que na sala do apê
                                                    Pela saco pra UPP.
                            
U.P!P!
P!P!P!P!P!.... Ups!


Pela ponta
Do fuzil
        A pontaria
           De um PM
Aponta, apronta e desaponta
         Mais um aposentado
Da vida na guerra
              Pela última ponta
Do baseado.

Pelo ibope sobe morro
Desce o choque no ato,
 No cara  na moça
                                                  Na manifestação...
 Pelo tiro de verdade
 Pelo tira de mentira
 Pelo tiro de borracha
                                                 Que apagou esse ref


VITÓRIA NO DESERTÃO

Vitória no Desertão



Nesse solo sanguessugas
Sugam o sangue sertanejo
Com suas sojas sujimundas
Assassinam santas e seringueiros.

Latifundiariamente
Matam grosso camponeses
Tiram ocas de Tocantins.
Palmas.
Piauí! Piauí! Piauí!
(A índia pega o trem pra cidade...)

Seus coronéis sem coronária,
Que hemorragiam a terra,
Hemorroidem-se!

Seus caudilhos caudalosos,
Ruminantes de lucro,
Agrointoxiquem-se!

  
No fim,
Em um Xingú, antes xingado,
Ao cheiro de chuva
De um belo monte,
Um índio sossegado
Suspirará tranquilo
E descansará sua fronte.

O jagunço que jazia em guerra
Terá terra para jazer.
O camponês será do campo,
Será da cidade
Moradia será direito,
Plantar para comer, prioridade.
E a nossa terra será também
A nossa liberdade!                                                        




Mara à Tona Judicial

Mar à tona Judicial


A divo & gado  Incon. , formado,
Inter(nacionalmente) põe o curso de volta (re –curso)
em face (book )da sem tensa p-rola- tada
 pêlo do Juiz de fora
da Comic Marca  da capital - ista.

Fossa Excrescência  flatulaste,
Escandalosa mente,
 pela boca
Mal dita e mal falada malfadada
Mafalda 

Intima – intimida
O dotô
Eletronicamente

Que Intimidade desta intimidação judicial!

Canta o prazo, desprazível.
Oh! Que desprazer!

Corre corre corre
Corre corre corre
Gedoria
Corre corre gedoria
Geladeira
Brastempestivamente
Conhecido e pro ouvido
O Recurso Inanimado ---- deprê---------------
Boca a boca
Anima anima
mima
Recurso inomimado
Mima  não mima mima o servidor
Mima o servidor
Mimi-mima
Mima-mima
O servidor

- leite com pera-
 - Perando o seguimento do feito
...

Despacha no gabinete.
Galinha e farofa,
Pra ver se decide em 3 dias.

Como se chama?
Chama-chama
Chama-chama
Chama o feito à ordem

 sem Nomen juris
Re-curso Inominado
Nomina nomina
Não, apela não.

Re corre  re corre, dotô
Só corre só corre, dotô
Quem corre e já morreu.
Então re corre  de novo, dotô
Que Juiz não é deus


A divo & gado
maratonista
No corredor
Do fór um,
 for dois for três,
A audiência é  às 15
Mas você sabe como ele é
Só começa às 6 pm
Corre,

Dotô.