Briga de Mãe
“Vai deixar... fazer isso com seu filho? Se
fosse eu, ia lá resolver isso agora!”, disse a mãe da mãe.
Mais uma briga na rua. Mais um
problema com a vizinha. Seu filho brigou com os dela, de novo... A mãe precisava resolver isso de uma vez por
todas, civilizadamente. Aliás, a vizinha também era mãe, devia entender.
Criança é assim, vive brigando. Mas no final se entende. Adulto que não.
Qualquer coisa quer colocar na Justiça. É fogo!
Desceu as escadas respirando
fundo. Tinha que resolver os problemas do filho. Restaurar a paz na vizinhança.
“É claro que ela vai entender, somos adultas, mães, evangélicas, pessoas do
bem, da paz, mulheres de Deus.”
Enquanto a vizinha recolhia seus
filhos da rua, ela gentilmente interrompia a cena. “Por obséquio, poderíamos
conversar sobre o ocorrido?” Em pé no portão de casa, a vizinha repleta de
raiva, por ver o rosto do seu mais novo ser arrastado no chão pelo filho da
mãe, encheu-se de um sentimento de vingança e resolveu descontar naquela que
estava diante de si. À beira do portão da vizinha, mal sabia a mãe que também
estava à beira de ser esmurrada.
Ainda não se sabe como a vizinha
fez aquilo. Era um soco? Um tapa? Uma unhada? Ou tudo junto? No final das contas, a versão oficial da
fofoca foi de que duas leoas se engalfinharam no intuito de defender sua prole.
Era a continuidade da briga dos filhos. O segundo round. A plateia assistia
atônita. Cada morador da travessa atrás muro de suas casas, espiando,
espreitando, querendo saber quem ganhou...
“Faz corpo de delito. Chegou
intimação. Rasga! Olha... tentou atropelar seu filho! Faz queixa. Disseram que
é policial. É nada. Meri me disse que eles vão se mudar...
...
Graças a Deus.”
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