terça-feira, 9 de junho de 2015

Preto de Cor Ação e Alma

Preto de cor ação e alma.



O lápis de cor
Cor de pele
Não tinha a cor
Da pele de João.

João Felipe de Souza,
Meu amigo,
Um dia quis
Trocar comigo
De cabelo e nariz!...

Preto era seu fardo
Também sua coloração
Assimilou o preconceito
Dizia que era pardo
Mas, no fundo, o coitado
Só queria ser aceito
Só queria ser amado
Ser tratado como igual.

Sabia de cor
Que a dor da gente
Ficava agarrada
No couro latente
Sangrando o coração.


Ouvia o coro
Muito frequente
“Que pessoa corada
De mão calejada
Não tinha erudição!”

    
Até que certo dia
Outra música tocou
Descobriu a melodia
Acompanhada de um bongô.

E furtado de si
Ele não teve
Saiu da marcha
Parou de “mimimi
Levantou do seu so
A buscar lugar ao Sol
Deixou o medo, então,
Pra !

Denegriu-se, afinal.

Assim, João foi valente
Cantava sua cor
Louvava sua gente
E, por ódio ou amor,
Bradava o refrão:
“Que preto era benção,
Não era maldição.

Que preto era benção,
Não era maldição.

Que preto era benção,
Não era maldição!”







Nenhum comentário:

Postar um comentário