Preto de cor ação e
alma.
O lápis de cor
Cor de pele
Não tinha a cor
Da pele de João.
João Felipe de Souza,
Meu amigo,
Um dia quis
Trocar comigo
De cabelo e nariz!...
Preto era seu fardo
Também sua coloração
Assimilou o preconceito
Dizia que era pardo
Mas, no fundo, o coitado
Só queria ser aceito
Só queria ser amado
Ser tratado como igual.
Sabia de cor
Que a dor da gente
Ficava agarrada
No couro latente
Sangrando o coração.
Ouvia o coro
Muito frequente
“Que pessoa corada
De mão calejada
Não tinha erudição!”
Até que certo dia
Outra música tocou
Descobriu a melodia
Acompanhada de um bongô.
E furtado de si
Ele não teve dó
Saiu da marcha ré
Parou de “mimimi”
Levantou do seu sofá
A buscar lugar ao Sol
Deixou o medo, então,
Pra lá!
Denegriu-se, afinal.
Assim, João foi valente
Cantava sua cor
Louvava sua gente
E, por ódio ou amor,
Bradava o refrão:
“Que preto era benção,
Não era maldição.
Que preto era benção,
Não era maldição.
Que preto era benção,
Não era maldição!”
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